sexta-feira, 5 de maio de 2023

Minha resenha de Os Incompreendidos

    Oie, tudo bem? Nesse semestre, na faculdade, faço uma cadeira de seminários de cinema. Tive que fazer a resenha de um dos filmes assistidos em aula, e pessoalmente gostei bastante de como ela ficou kkkk. Resolvi compartilhar ela aqui :)


Resenha de Os Incompreendidos

    É de conhecimento geral que o século XX foi marcado por duas grandes guerras, conflitos e crises. Antes do cinema, essas situações eram representadas de forma artística através da literatura e das artes plásticas, que buscavam, através de seus movimentos, criticar ou refletir sobre essas situações. Com o advento do cinema, tornou-se cada vez mais comum o surgimento de produções audiovisuais que remetem a esses acontecimentos. O Expressionismo Alemão, desenvolvido após a Primeira Guerra Mundial, deu início aos filmes de terror, devido ao sentimento negativo dos alemães a respeito de sua derrota. As produções eram fantasiosas e ficcionais, e buscavam, de forma subjetiva, mostrar o mundo destruído do pós-guerra. O Neorrealismo Italiano, que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, também visava a destruição que o conflito causou na sociedade, mas de forma bruta e realista, praticamente documental, e não ficcional. Os filmes traziam histórias cotidianas, voltadas ao desemprego, crise, fome e desolação, que era o que o país estava passando no momento.

Na França, com a Segunda Guerra Mundial, o cinema precisou parar, e assim, o Realismo Poético Francês entrou em declínio, deixando cada vez mais para trás os melodramas policiais ou românticos que até então eram produzidos no país. Posteriormente, com o retorno das produções, os cinegrafistas se viram no papel de mudar o estilo das obras. Como uma forma de criticar as superproduções dos grandes estúdios, foi criada a revista Cahiers du Cinéma, que defendia a ideia de que os filmes deveriam ser mais espontâneos e autorais, voltadas para temas existenciais, e assim, propondo histórias menos comerciais e mais livres. Dessa forma, surgiu a Nouvelle Vague.

    Um dos grandes precursores desse movimento foi o longa-metragem Os Incompreendidos, dirigido e roteirizado por François Truffaut. A obra é, na verdade, baseada na infância de Truffaut, que através do personagem Antoine Doinel, pôde reconstruir aspectos importantes dessa época de sua vida. Doinel é uma criança assim como as outras, porém passa por diversos problemas, como por exemplo a negligência de sua mãe e as dificuldades na escola com os professores. Junto com seu melhor amigo, René, que também vivencia situações semelhantes com a família e no colégio, Doinel passa os dias fazendo pequenos delitos e faltando às aulas, porém a situação piora quando inventa uma mentira ao tentar justificar uma de suas ausências. Ao descobrirem a verdade, seus pais e o professor ficam extremamente furiosos, e isso faz com que Doinel queira, de fato, fugir de casa. Ele acaba passando uma noite em uma gráfica, e no decorrer da história, na casa de seu amigo, até que então, os garotos decidem roubar uma máquina de escrever. Doinel é apanhado no processo, e então é preso e levado para um reformatório destinado a jovens delinquentes. Ele sempre quis muito conhecer o mar, então, fugiu do reformatório e correu até a praia, para realizar seu sonho,  Assim, o longa-metragem acaba, com a icônica cena do protagonista finalmente sendo livre.

    Com planos longos e pouquíssimos cortes durante as ações, Os Incompreendidos é um grande exemplo característico da Nouvelle Vague, que justamente propunha que os filmes deveriam ser gravados em ambientes reais, como ruas, praças, apartamentos, casas e escolas, e não em sets de filmagem. Os orçamentos também não eram dos mais altos, levando em consideração que a Nouvelle Vague defendia que o cinema deveria buscar por filmes mais baratos e não tão rígidos às preocupações formais. As filmagens são mais dinâmicas, e as falas aparentam, de certa forma, ser mais naturais, o que se dá devido aos improvisos. Outros aspectos muito aparentes no filme foram as montagens mais fragmentadas e falta de linearidade, o que às vezes pode dar a impressão de que há erros de continuidade na história.

    François Truffaut foi responsável por várias outras produções autobiográficas, continuando, assim, a história contada em Os Incompreendidos. Antoine e Colette é o sucessor, em que o protagonista já está com 18 anos e se apaixona por uma estudante em um concerto; Em Beijos Proibidos, o terceiro filme, Antoine passa a trabalhar junto com um detetive, porém se apaixona pela mulher do seu cliente; Domicílio Conjugal é a quarta produção, que aborda sobre o caso que o protagonista teve com outra mulher enquanto estava casado; O Amor em Fuga é o quinto e último longa-metragem da saga, em que Antoine se divorcia de sua esposa e reencontra personagens do passado. Jean-Pierre Léaud é o ator que interpretou Antoine Doinel ao longo de todos os filmes, e também esteve presente em diversas outras obras do período, como A Noite Americana, A Chinesa, Masculino-Feminino, entre outros.

    Os Incompreendidos foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original (1960) e premiado como Melhor Direção no Festival de Cannes, e seu legado continua até hoje, sendo considerado um dos grandes clássicos do audiovisual.


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